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Texto base: Lucas 15:11-24.

Como seres humanos falhos que somos, nos permitimos muitas vezes viver na autossuficiência do conhecimento. Como já ouvimos sobre um determinado assunto, ele acaba se tornando obvio, e por tratarmos ele em sua obviedade passamos a deixar de dar sentido a ele. Nos achamos tão sábios e preparados que menosprezamos os assuntos mais primordiais da nossa fé. E é só quando as coisas realmente cobram de nós o relacionamento íntimo com aquilo que é fundamento, que ai nos voltamos para o amor de Deus e somos relembrados do quanto carecemos dele.

Uma das consequências de tratar o amor de Deus como algo tão óbvio que não merece a nossa reflexão e a nossa devoção, é nos tornarmos superficiais. A superficialidade então dá lugar a tantos ídolos em nosso coração que nos perdemos em nós mesmos e começamos a confundir o amor de Deus com o nosso ego.  E, assim como o filho que pegou seus bens e saiu a se preencher com a superficialidade de tudo, quando nos deparamos com a sujeira de nós mesmos, percebemos que há uma necessidade de retorno. E a necessidade de retornar nos leva a uma auto análise confrontadora sobre quem nos tornamos. Para ajudar nessa ilustração, convido-o para que nesse momento, você pare por 3 minutos para imaginar essa cena: você se olhando no espelho, enxergando os pecados que você comete diariamente, os erros, as feridas, olhe pra todo o mal que há ai dentro de você. Talvez algumas palavras, memórias venham na sua mente, pense nelas por um momento. Pensou? Agora imagine que você está chegando diante de Deus pra expor isso a Ele.

Acredito que a oração que vem na sua cabeça é a mesma encontrada no versículo 21: ”Pai, pequei contra o céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado filho”. Ao olharmos para nós mesmos, sem reservas e sem máscaras, percebemos o quanto somos imerecedores do amor dEle. Percebemos que a única coisa que de fato merecemos é a condenação eterna. Entretanto, após esse momento de exposição e de todo o constrangimento que a confissão do nosso pecado trás, vemos o amor de Deus combatendo cada centelha do nosso mal.  Enquanto vamos em sua direção com as súplicas da alma e a confissão em nossos lábios, Ele vem e nos abraça, nos dá senso de pertencimento, nos dignifica e celebra: ‘’porque este meu filho estava morto, mas reviveu, estava perdido e foi achado’’. Deus vê o que nós podemos nos tornar na medida que nos relacionamos com Ele e é por isso que seu olhar é diferente do nosso. O olhar dEle é o mesmo olhar de Jesus na cruz ao dizer:”Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. É aqui que encontramos o ponto inicial: Ele não depende de nós para nos amar incondicionalmente.

Com tudo isso, podemos entender que há mudanças que precisam ocorrer em nossas vidas e elas precisam ser feitas hoje. Porque Deus nos chama pro agora e não para o depois. Entretanto, o convite que quero fazer nesse dia é para que vivamos esse momento de reencontro. Momento esse em que você se apresenta honestamente e em que o Pai te olha, te pega nos braços, te coloca roupas novas e regozija-se com a vida que começa a fluir em você a partir dEle. Que nesse dia e em todos os outros possamos viver a profundidade do amor de Deus. Nos constrangendo, sendo honestos e sendo obedientes com a sua verdade. Que a nossa essência esteja na cruz de Cristo e que todos os dias, ao carregarmos ela, possamos se satisfazer na boa, perfeita e agradável vontade de Deus, sem se esquecer que o amor é uma escolha de sofrimento e sacrifício, mas que tem o objetivo nos levar a Eternidade.

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