• Categoria do post:Refugiados

“Meu nome é Rute, sou Cubana e tenho 50 anos. Filha de René Soler e Felícita Rasúa.
Meu pai natural de San Cristóbal, Pinar del Río; filho de um agricultor muito inteligente e de uma dona de casa muito prestativa; viveu confortavelmente graças ao esforço de meu avô, com o plantio e cultivo de suas terras.
Minha mãe de Santiago, filha de carpinteiro e dona de casa, tinha dez filhos. Dois deles morreram ainda pequenos. Era muito difícil, com um salário mínimo, conseguir suprir as necessidades da família. Por isso os filhos mais velhos precisaram começar a trabalhar desde muito cedo.

Minha mãe conhecia o amor de Deus desde os cinco anos, graças a um pastor pentecostal que reunia crianças de seu bairro para levá-las à escola dominical. Em casa, ela era a única que tinha tomado a decisão de seguir a Cristo. Em 1959 triunfou a Revolução, ela começou a estudar numa escola onde material Cristão era proibido. Por medo, ela manteve silêncio sobre suas crenças, escondeu sua Bíblia e depois de um grande acidente, se arrependeu de ter negado a Deus, abandonou a escola e decidiu nunca mais repetir esse erro.

Em 1968 viajou para Pinar del Río para cuidar de sua irmã recém-nascida. Imediatamente procurou uma Igreja Batista onde conheceu meu pai, com quem se casou em 1969. Juntos ensinaram a mim e a meus filhos a amar e respeitar a Deus em qualquer situação, custe o que custar.

Quando começamos a estudar os problemas começaram. Naquela época, ser religioso refletia no histórico estudantil. Não era possível candidatar-se a algumas carreiras profissionais como pedagogia ou carreiras militares (aviação, engenharia, direito). Para optar pela carreira de medicina, por exemplo, você tinha que ser o melhor sem discussão.
Alguns professores foram sensíveis, para nos ajudar disseram que iam omitir que éramos Cristãos; no entanto outros foram muito agressivos. Desde muito novos, meus irmãos e eu sofremos discriminação por sermos Cristãos.
Minha irmã; quando estava no primeiro ano do Ensino Médio, após realizar três provas para ingressar na escola preparatória de cientistas em Cuba; “cometeu um erro” ao dizer que era Cristã, ela foi reprovada. Quando meus pais solicitaram análise da situação, não tiveram escolha senão conceder-lhe uma bolsa porque suas notas eram excelentes.

Depois de um tempo, com medo dos critérios internacionais, nos permitiram estudar pedagogia. Graças a Deus consegui ingressar nessa carreira. Mas enquanto estava lá tive dificuldades com alguns professores que não me permitiam falar de Deus, me ameaçaram com sanções, a UJC (União de Jovens Comunistas) sancionou até um amigo meu por conta da amizade com um religioso.

Trabalhando como professora, a direção da escola me chamou a atenção por ensinar a Bíblia e cantar músicas religiosas nas horas vagas. Ao avaliar meu trabalho anual, às vezes baixava minha pontuação pelo simples fato de eu ser Cristã.

Eu era oprimida em Cuba por ser Cristã, o governo cubano não gosta de pessoas que fujam aos seus critérios.
Nas votações presidenciais, nas mudanças constitucionais, nos locais públicos onde nos dão a oportunidade de expressar nossas opiniões; marginalizam-nos e tentam nos humilhar por conta da nossa fé.

Como esposa de pastor, tenho sentido a falta de consideração do governo pelos líderes religiosos. Nos subestimam e tentam nos intimidar para que não denunciemos os males sociais.
Como mãe, tenho sentido tristeza ao ver meus filhos sofrendo. Eles são tachados de criminosos por não quererem ser como Che Guevara, por também falarem dos males sociais, por colocarem seus princípios Cristãos acima de tudo e serem moralmente corretos.

Deus é fiel, cuidou de nós em meio à perseguição e nos deu uma saída em todas as circunstâncias para que sem desonrar a Deus pudéssemos continuar pregando o Evangelho. A Deus seja a glória!”
.
.
📸A Páscoa Invisível é um collab de foto-jornalismo com o @flninvisivel e a @fhopbr pra criar consciência sobre uma das maiores tragédias sociais que é a crise migratória oriunda da perseguição religiosa.

Venha conosco durante todo o mês de Março.

#SomosTodosRefugiados #causassociais #pascoainvisivel #missaomais #flninvisivel #fhopbr #juntossomosmaisfortes #naosaoelessomosnos #ouseseraresposta

Deixe um comentário